A dor e a delícia de morar em outro país

por Rosi Guimarães

Eu moro no Chile há mais de 6 anos, com meu marido Flávio e meus filhos Arthur e Yasmim.  Já contei como deixamos uma vida bem estruturada em Belo Horizonte e aqui estamos, Nós no Chile!

Apesar do amor que eu sinto por este país, que nos recebeu muito bem, às vezes a saudade de “casa” aperta. Nesse período de quarentena, com todos em casa tanto aqui no Chile como Brasil e no mundo, estamos passando por momentos de reflexão e valorizando a família e as coisas simples da vida. Eu sempre pensando em meus pais, irmãos e todos os familiares de quem estamos distantes.

Dei um tempo na produção de conteúdo de viagens, mas tenho escrito um pouco sobre o meu dia a dia na cozinha na nova página: Comer e Beber no Chile e também no perfil @comerebebernochile.  Mas hoje me deu vontade de contar pra vocês a minha experiência de viver em outro país e mostrar um pouco das vantagens e desvantagens de morar fora.

Muitas pessoas pensam que a vida de estrangeiro é sinônimo de luxo e riqueza, mas não é bem assim. Meu marido veio transferido pelo trabalho e eu tive que abrir mão da minha profissão e nós de outras coisas,  dentre elas a estabilidade emocional. Saímos da nossa zona de conforto e nos arriscamos em um mundo novo e desconhecido e, acima de tudo, aprendemos a conviver com a saudade.

Mas vamos lá, quero começar falando das delícias, das facilidades, do crescimento e dos aprendizados que adquirimos morando fora, não só eu, mas todos aqui em casa.

Apesar do medo, do frio na barriga, tive a oportunidade de crescer como pessoa, aprendi a valorizar o simples, foi momento de me reinventar. Afinal de contas, deixei meu trabalho de Relações Públicas em Belo Horizonte para me tornar blogueira no Chile. Tive a chance de viver de uma forma diferente da que eu estava acostumada no Brasil, de deixar passar novos personagens por minha vida, de conhecer lugares diferentes, lugares que hoje são descritos por mim aqui no Nós no Chile. As viagens e passeios viraram meu trabalho e me orgulho muito disso.

Para mim, morar no Chile é me surpreender com a imponência da Cordilheira dos Andes, com o pôr do sol alaranjado de Santiago, com a água azul-turquesa do Embalse el Yeso, com os flocos de neve caindo nas montanhas, com o verde e os dias chuvosos do Sul do país, com a secura do deserto do Atacama – o mais árido do mundo. É também me surpreender com a beleza dos vulcões, com o frio na barriga na hora dos terremotos. E as vinícolas? Um dos meus passeios preferidos, é uma oportunidade de degustar vinhos diferentes e deliciosos todos os dias.

E como eu já disse lá no começo, morar fora é sair da zona de conforto, é aprender tudo de novo, outra língua, outra cultura, outros costumes, outros sabores, enfim, outra forma de viver. Nem melhor, nem pior, apenas diferente.  

É a oportunidade dos filhos crescerem falando outra língua, conviver com amigos que pensam diferente e que têm outra cultura. Como crescemos! Como aprendemos a dar importância ao que realmente significa algo pra gente!

Mas é como eu sempre digo: morar em outro país é como morar de favor na casa dos outros. E é aqui que entram as dores.

Aprendemos a conviver com a dor. A dor da saudade, sim, ela dói muito. A dor de comemorar o aniversário sem a família. A dor de estar longe dos pais, irmãos e sobrinhos. Longe dos amigos.

A falta de conviver com a alegria do povo brasileiro.

A falta de se sentir em casa, apesar do Chile ter nos recebido muito bem, a nossa casa é o Brasil. 

Foto: @sr_e_sra_photography

Na minha família, a coisa é bem dividida. Arthur ama o Chile, se adaptou muito bem e nem fala em voltar, já está fazendo o curso de Engenharia na melhor Universidade do Chile e traçando o futuro dele longe do Brasil.  Yasmim é muito brasileira. Mesmo estando aqui, a cabeça dela não sai do Brasil e sempre pensa em fazer universidade no Brasil.  Eu e Flávio vivemos um dia de cada vez, mas com a certeza de um dia voltar pra casa.

Enquanto não voltamos, buscamos sempre um equilíbrio entre a dor e a delícia, tentando não deixar a dor ser maior que a delícia, porque no dia que for, a vida aqui no Chile vai perder o sentido. Temos planos de voltar para o Brasil, mas não nesse momento.

Acreditamos que a vida é cíclica e que tudo tem hora certa para começar e para acabar. Mais do que o ponto de partida e o ponto de chegada, precisamos nos focar no caminho. É nele que nos reserva as maiores surpresas.

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2 comentários

pedroza 11 de agosto de 2020 - 12:10

Bom dia! Novamente, parabéns pelo site, muito útil e interessante!
Tenho uma viagem pro Chile de 10 a 15 de setembro de 2020, acha que estará liberada a entrada de turistas brasileiros?
Abs e obrigado pela atenção.

Reply
Rosi Guimarães 13 de agosto de 2020 - 17:45

Oi
Acho pouco provável que esteja aberto nessa data.
Veja esse meu vídeo https://youtu.be/xOIVN7zf0Fk
Um abraço!

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