Chile – Como cuidar da saúde

por Rosi Guimarães

Republico aqui o texto da jornalista brasileira Joy Matta, que como eu, vive no Chile. Um texto que mostra como funciona a saúde aqui. Dicas importantes para o turista viajar mais tranquilo e informado.

Texto e fotos: Joy Matta

Foto: Joy Matta

Foto: Joy Matta

Quando você decide morar fora de seu país natal, uma das grandes preocupações que se deveria ter é em relação à saúde. Quando conheci o sistema aqui no Chile e depois de acompanhar de perto alguns casos de conhecidos que vieram para cá, sempre que posso aconselho a quem venha, mesmo que seja por poucos dias, que contrate um seguro de viagem. Porque, acredite, pode ser bem caro ficar doente por estes lados.

Mas vamos por partes. Há um “plano de saúde” do governo, chamado FONASA (Fondo Nacional de Salud). Dentro dele há diferentes categorias: A, B, C e D. Fonasa A é aquele que garante saúde gratuita em pronto-socorro, consultas, procedimentos e alguns medicamentos. As pessoas que podem usufruir desse beneficio do Estado, são: os carente de recursos, aqueles sem um trabalho formal, mulher grávida ou crianças até os seis anos de idade (Nota: As mulheres grávidas são conduzidas para ter um parto normal a menos que se apresente alguma condição que o impossibilite – mas falaremos disso mais profundamente em outro post).

Se a pessoa trabalha com contrato ou é autônomo, passa a fazer parte de alguma das demais categorias. A diferença é que os trabalhadores com contrato tem a sua afiliação feita automaticamente pelo empregador, que destina 7% do salário desse funcionário à saúde; no caso dos autônomos, eles podem decidir com quanto dinheiro vão contribuir, sendo que o mínimo deve ser 7% do valor do salário mínimo vigente.

Na categoria B, estão os trabalhadores cujo ingresso mínimo é menor ou igual ao salario mínimo ou acima de 306.600 pesos chilenos (aproximadamente R$1.200,00) com mais de 3 pessoas como carga familiar. Nesse caso, ainda podem receber assistência gratuita em consultórios de cada comuna (algo assim como bairro) e nos hospitais públicos, mas podem optar por atendimento em clínicas e hospitais particulares.

Fonasa C é para aqueles que ganham um valor superior ao salario mínimo até (atualmente) os 306.600 pesos chilenos e têm menos de 3 cargas familiares. A categoria D corresponde à quem tem ingressos superiores aos 306.600 pesos chilenos. Em ambos casos, o beneficiário podem escolher entre ser atendidos na rede particular ou pública, só que devem pagar uma porcentagem do valor da consulta ou procedimento, enquanto a outra fica por conta do Fonasa. A diferença entre uma e outra é o valor final a ser pago: Fonasa D tem maior desconto que C.

Foto: Joy Matta

Foto: Joy Matta

Além dessas possibilidades, estão as Isapres (Instituciones de Salud Previsional) que sao o mais similar aos nossos planos de saúde no Brasil, com a diferença que, mesmo pagando uma quantia considerável por mês, ainda deve-se desembolsar uma certa quantia a cada procedimento, consulta ou internação. Atualmente, nao existe no Chile um plano de saúde que cubra 100%. A única forma de conseguir chegar à esse tipo de cobertura é pagando ainda mais por um seguro complementar que te restringe à atendimentos em uma clínica específica. As Isapres têm diferentes planos (todos com alguma ressalva, as famosas “letras pequenas”) mas geralmente funciona da seguinte forma: você pode ir à consultórios, clínicas ou laboratórios que aceitem a sua isapre e paga um valor X para cada serviço, mas se você ir àqueles dois ou três indicados em seu contrato, o valor a pagar será menor do que em outros estabelecimentos. A maioria das Isapres funcionam com o desconto online, onde basta você colocar o dedo índice em um leitor e pronto: o sistema indica o valor a pagar, mas há procedimentos e aqueles dias famosos em que “o sistema cai” onde você deve pagar o valor integral do procedimento e solicitar o reembolso com a nota fiscal.

Ok, aí você me pergunta: e se eu sou turista e fico doente no Chile? O que acontece é que você vai a um pronto-socorro e paga pelo atendimento, insumos utilizados e medicamentos que forem administrados na saída. Para ser justa, já ouvi relatos de pessoas que dizem ter ido à hospitais públicos e não tiveram que pagar nada, mas a maioria das histórias que se conhece por estes lados não é bem assim. Obviamente indo à rede pública o gasto vai ser menor e, apesar da aparência decadente, a maioria dos hospitais públicos têm bons médicos e equipamentos, só que a espera pelo atendimento pode maior que na rede particular (que também colapsa, especialmente nos meses de inverno).

Foto: Joy Matta

Foto: Joy Matta

Já pra você que está decidido a sair do Brasil e vir pra cá com a cara e a coragem, a recomendação é ir diretamente ao consultório da comuna onde você for morar e se inscrever por lá. Converse com a assistente social e explique seu caso, geralmente eles te aceitam com o visto em trâmite e você tem acesso à Fonasa A pelo tempo que espera o visto ser aceito e poder solicitar o RUN (Registro Unico Nacional, o “RG” chileno). Com o RUN em mãos fazem uma nova avaliação onde solicitarão que você passe a contribuir com os 7% do salário mínimo como trabalhador independente ou te manterão como Fonasa A por mais alguns meses, dependendo dos critérios nos quais você se encaixa.

Com tanto dinheiro que se desembolsa por cada consulta foi que passei a entender porque os chilenos sabem de cor e salteado o nome de tantos medicamentos e em que casos tomar, abusando da auto medicação. Mas ainda não caí nesse “costume”: prefiro ir nos especialistas mesmo tendo que pagar.

Texto publicado no brasileiras pelo mundo: http://www.brasileiraspelomundo.com/chile-como-cuidar-da-saude-24127524

 

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16 comentários

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Luana Barbosa 25 de abril de 2016 - 01:26

Olá, estou indo morar com meu esposo já somos da terceira idade como faço um plano de saúde para nós dois. É muito caro?

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[…] Clique aqui para saber mais sobre a saúde no Chile. […]

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Maria Cláudia Canedo Rey 17 de fevereiro de 2016 - 10:55

Oi Rosi, gostei muito do seu blog e estou interessada em mais dicas. Acho que futuramente vou me mudar para o Chile e devo ir para Santiago. Já estou começando a juntar informações e no momento a minha maior dificuldade é encontrar uma boa empresa de transporte de mudanças. Moro no Rio de Janeiro, na capital. Gostaria de saber como você fez com relação à mudança. Você tem alguma dica? Um abraço

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Karine 13 de janeiro de 2016 - 17:56

Olá! Muito úteis e esclarecedoras as informações. Gostaria de saber qual a cotação do real hoje no mercado paralelo? Irei a Santiago na primeira semana de fevereiro.
Grata,
Karine

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Rosi Guimarães 15 de janeiro de 2016 - 16:40

Karine,
Aqui em santiago não tem mercado paralelo, pelo menos eu não conheço. Todos os câmbios são feitos nas casas de Câmbio, e a melhor cotação está no Centro, rua Augustinas. Esta semana variou entre 180 e 190 pesos para 1 Real. Aqui nesse site dá para ter uma ideia: http://www.cambiosantiago.cl.
Abraços!

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Luisa 30 de março de 2015 - 21:17

Estou adorando o site!! Queria saber qual seguro viagem cobre esportes na neve??

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Rosi Guimarães 5 de abril de 2015 - 18:16

Oi Luisa,
Achei esse aqui: http://www.seguroviagem.com.br/gta-ouro-neve.php. Mas não conheço. Itaú também geralmente tem, precisa dá uma olhada; Ou no banco onde você tem conta.
Boa sorte! Um abraço!

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7 dicas de viagem para Santiago do Chile 3 de novembro de 2014 - 14:23

[…] se tem dúvida com relação sobre a saúde, clique aqui para saber […]

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Cleide 2 de novembro de 2014 - 22:15

Muito importante essa matéria. Irei por 6 semanas ao Chile com duas filhas e estava querendo saber do assunti.
Parabéns e muito ibrigada.

Reply
Rosi Guimarães 3 de novembro de 2014 - 21:22

Obrigada Cleide,
Continue acompanhando o blog, sempre tem novidades por aqui!
Grande abraço!

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William 3 de outubro de 2014 - 23:52

Parabéns pelo site e muito obrigado pela matéria!

Reply
Rosi Guimarães 4 de outubro de 2014 - 16:28

Oi William,
Continue acompanhando, sempre temos coisas novas para contar e compartilhar.
Grande abraço!

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