Chile, a saga de uma bola de futebol e um álibi

por Rosi Guimarães

A série: Foi ao Chile. Conte pra gente de hoje não é um roteiro, nem um relato detalhado de viagem, mas uma história que me deixou emocionada. Recebi o texto, li e fiquei pensando: como é importante tratar bem as pessoas, sem pedir nada em troca, um simples gesto transformado em uma linda recordação. E quem conta essa história é a Cibele Aguiar, que viajou para o Chile com a mãe e a irmã.

Texto e fotos: Cibele Aguiar

A viagem foi um presente premeditado. Chegou como surpresa no aniversário da minha mãe.  No final, minha irmã se juntou à jornada, numa aventura memorável com o propósito de conhecer a neve. E foi lindo, intenso, como nas melhores previsões. Mas não foi só isso.

A Cibele é a do meio.

A Cibele é a do meio.

Esperávamos um voo seguro, um hotel confortável, comidas exóticas, lugares interessantes, danças típicas, pessoas para conhecer, uma neve farta e densa, ótimas fotos, boas compras, vinhos, empanadas, frio intenso. Mas o que tivemos em um roteiro de cinco dias foi além das programações sugeridas. Experimentamos novos sabores, rimos do inusitado, fotografamos novos olhares, admiramos outras paisagens. E o sorriso da minha mãe estava presente, nos registros e para sempre em minha memória.

Dormimos num mesmo quarto, dividimos a pia do banheiro, ouvimos os barulhos das outras, compartilhamos casacos. Registramos momentos, rezamos diante de um belo santuário. Cuidamos uma das outras. Tivemos um pouco de tudo… Tivemos mais de nós mesmas. Certamente não foi a viagem mais sonhada… No convívio real, durante os dias compartilhados, tivemos a oportunidade de nos conhecer ainda mais, de capturar pequenas essências, pequenos defeitos.

Mas entre todas as coisas que guardamos de nossa recente viagem, a bola de futebol com a bandeira do Chile talvez tenha sido a mais inusitada. Foi comprada como lembrança para o pequeno Pedro. Embalada, carregada e recebida com o maior entusiasmo por um brasileirinho no auge dos seis anos de idade. Falou que ia mostrar para os amigos, jogar com o pai e o irmão. Mas a bola estava furada. Nada de gols, nada de nada. Choro inconsolável – “maldita bola vazia do Chile”, decepção. E o que pensamos que passaria, não passou. A bola furada ficou engasgada na memória do pequeno Pedro.

Foi quando a mediadora deste prezado blog se apresentou como verdadeira amiga, em meio a tantas relações virtuais vagas. Ela se prontificou a ajudar, a encontrar uma solução. E da terra da neve, uma bela demonstração de sensibilidade. Rosi Guimarães, sua predisposição em remediar a frustração de alguém que você nem conhecia, será para sempre lembrada… Mas, com sorte, acabamos por achar uma solução tupiniquim. Um sapateiro conseguiu, enfim, colar a bola chilena. Durou pouco, confesso, mas o suficiente para chutar, brincar e alterar a visão do Pedro sobre o Chile.

E o álibi? Era o que a gente precisava… Eu, minha mãe e minha irmã… Um álibi para uma viagem conjunta, diferente, só a gente. Um presente para dar coragem à minha mãe, para dar asas. Certamente, o pequeno Pedro vai se esquecer da bola furada. Nós não. Nunca mais vamos nos esquecer de um tempo de “Nós no Chile” – quando voltamos a ser crianças, brincamos na neve e, por alguns instantes, no vale coberto de gelo, ficamos mais perto de Deus. 

Olha aí o Pedro com a bola de futebol.

Foto do Pedro

Viagens são recordações, são fatos, são histórias e essa é a linda recordação da Cibele, muito obrigada pela sua história e pelo seu carinho.

Outros relatos da série: Foi ao Chile. Conte pra gente, podem ser conferidas aqui.

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