Chile: Um final de semana delicioso no Valle de Colchagua

por Rosi Guimarães

Acho que já posso considerar Colchagua o meu vale queridinho aqui no Chile. Sempre que penso em fugir do agito de Santiago, o primeiro destino que vem na mente é Santa Cruz.

Curiosidade: sabia que o Chile tem mais de doze vales vitivinícolas?

Como amante de bons vinhos, um dos meus passeios preferidos é conhecer vinícolas e fugir do agito da cidade. O Valle de Colchagua é pertinho de Santiago, apenas 18 0 quilômetros, e a cidade mais central para fazer os passeios é Santa Cruz.

Se você ainda não tinha pensando em colocar Colchagua no seu roteiro, já pode começar a mudar de ideia e, após este post recheado de boas dicas, tenho certeza que esse destino fará parte da sua viagem aqui para o Chile.

Nosso hotel em Colchagua

Gente, sempre que eu e Flávio vamos para Colchagua, ficamos em um hotel diferente, para poder dar muitas opções para vocês. Dessa vez, ficamos num hotel novinho e lindo que me surpreendeu. É o Parronales, um  casarão antigo (essa é a parte antiga do hotel), mas que foi ampliado com a construção de novos quartos, num estilo bem moderno e com vista para o vinhedo. Além disso, ainda tem ofurô na varanda do quarto. Você pode ficar ali curtindo a paisagem e tomando um vinho, realmente imperdível.

Outro diferencial: o proprietário Felipe foi quem nos recebeu e deu todas as informações. Muito atencioso e sempre acompanhando todos os serviços, faz toda diferença. Ele dá dicas de vinícolas, restaurantes, ou seja, atendimento perfeito! O Felipe ainda produz vinho. Não deu nem tempo de experimentar, então vou ter que voltar!

No Parronales, você se sente em casa! Vale experimentar. Quando reservar, não esqueça de avisar que quer ficar nos quartos novos. Fica a dica! Clique aqui para reservar o hotel Parronales.

Ah! O hotel também tem bicicletas disponíveis para os hóspedes. A única coisa que dá para ser melhor é o café da manhã. Fica a dica Felipe.

Vinícolas que visitamos

Só no Valle de Colchagua, eu já visitei mais de treze vinícolas. Aqui você pode ler os posts para escolher as que quer visitar. As mais visitadas por brasileiros são: Montes, Viu Manent e LaPostole/Clos apalta. Mas tem outras que são menores e bem lindinhas também, como a Laura Hartwig e a orgânica François Lurton.

Vinícola Maquis

Já estou ficando repetitiva em dizer que uma vinícola me surpreendeu, mas é verdade. Cada uma tem seu charme, seu diferencial. A Maquis tem uma estrutura super linda,  muito maior do que eu imaginava, e os vinhos são de excelente qualidade.

Curiosidade: sabia que eu conheço mais de 50 vinícolas no Chile?

A começar pelo guia que nos atendeu. Nicolás, super simpático e divertido, tornou o tour muito mais agradável. Passeando pelo vinhedo, ele contou toda a história da vinícola, como é feito o processo de produção, irrigação do vinhedo e tipos de uvas cultivadas. A Maquis só produz vinhos de alta gama, ou seja, que são de excelente qualidade. É uma vinícola sustentável e com colheita 100% manual. Não produz vinhos brancos, apenas tintos, e um rosé, sendo 90% da produção para exportação.

No terreno da vinícola, passa um rio, o que torna o lugar agradável. Sentamos na sombra de uma árvore e logo pensei: lugar perfeito para um piquenique!

Depois de toda a explicação do Nicolás, entramos na vinícola para a degustação, feita na parte superior, em um espaço com vista para o vinhedo.

Achei interessante que os desenhos dos rótulos são baseados em joias mapuches. Começamos com o rosé, ideal para o dia, pois fazia mais de 30 graus. Estava geladinho e foi perfeito.

Depois, degustamos o Lien, uma mescla elaborada de Cabernet Franc, Carménère, Petit Verdot e Syrah. Este foi o primeiro vinho produzido pela vinícola.

Seguimos então com o Viola que é um vinho ícone da uva Carménère.

Para fechar com chave de ouro, Franco, o melhor na minha opinião, primeiro vinho ícone do Chile de uva 100% Cabernet Franc. Um sabor realmente excepcional, elegante e fácil de tomar.

Mais informações:

  • Tour Premium: a partir de $ 18.000 pesos chilenos
  • Para fazer sua reserva: www.turismo.maquis.cl Reserva e pagamento no próprio site.

Vinícola Apaltagua

Uma vinícola grande do Valle de Colchagua e com uma variedade enorme de vinhos tintos, rosés e brancos, tem até um espumante de granada que é a nossa romã. 

Aqui não fizemos o tour, apenas uma degustação. Provamos dois brancos e dois tintos. Os brancos foram um Chardonnay e um Riesling, mas não gostei de nenhum. Estou ficando muito exigente. Dos tintos, um Carménère e um Petit Verdot, de uma linha premium. Esses sim, estavam muito bons.

Na loja, vinhos com preços muito bons. Vale passar para fazer umas comprinhas.

Pôr do sol na vinícola Ventisquero

Não é minha primeira vez nessa vinícola, mas como tudo que é bom vale o repeteco, fui de novo, ver o pôr do sol. Lugar perfeito para fechar um dia de visitas. E os vinhos? Meu Deus! Os melhores. Outros coisa bacana é que a gente fica muito à vontade e depois da degustação você pode comprar um vinho e ficar ali por um bom tempo tomando seu vinho.

Dessa vez fiz uma degustação harmonizada com comidinhas. Degustamos 3 vinhos:

  • Kalfú – Sauvignon Blanc. Que vinho perfeito! Ainda mais acompanhado com um ceviche. E olha que não sou amante dos brancos. Equilibrado, agradável em boca, acidez no ponto.
  • Pangea –  É um vinho 100% Syrah. Intenso, robusto, negro, potente, 22 meses de guarda em barril francês. A degustação foi acompanhada de um pãozinho com com presunto parma. 
  • E para finalizar Herú – Pinot Noir com um aroma adocicado, também muito fácil de tomar e foi combinado com a sobremesa, torta de limão.

Quando foi dando a hora do sol se pôr, subimos para a parte mais alta do vinhedo e presenciamos uma cena inesquecível.

Curiosidade: sabia que a Vendimia do Valle de Colchagua é uma das melhores do Chile? Pelo menos para mim e Flávio que batemos ponto todos os anos e adoramos.

No domingo pela manhã, antes de pegar estrada para Santiago, ainda passamos pela vinícola Santa Cruz.

Restaurantes

Outra coisa que eu sempre digo: a gastronomia sempre tem que fazer parte da viagem. Bom vinho e boa comida é uma combinação perfeita. É por isso que sempre tem listinhas de restaurantes nas minhas viagens e depois viram recomendações aqui no blog

Casona Bistrô

Entre uma vinícola e outra, almoçamos no Casona Bistrô com um quintal enorme e ambiente interno bem agradável. Ainda não conhecia e foi uma grata surpresa. O atendimento excelente foi feito pelo Juan Eduardo que morou no Brasil e fala português super bem. O restaurante fica num casarão antigo e o cardápio é bem variado prestigiando sempre produtos locais.

Para começar, opções de tábuas, carpaccios e ceviches. De prato principal, as carnes são o carro-chefe da casa, mas tem frutos do mar também. Preferimos não tomar vinho, pois tínhamos mais duas vinícolas para visitar ainda. Ficamos só no suco. 

Flávio pediu um arroz caldoso con marisco e eu pedi um salmão com salada, ambos muitos bons, bem temperados e com uma apresentação ótima. Já estou imaginando voltar no inverno para comer esse arroz num jantar acompanhado de um vinho tinto.

De sobremesa, aceitamos a sugestão do Juan e pedimos um volcán de chocolate, o nosso petit gateau, delicioso também. Recomendo e já quero voltar.

Envero Taberna & Parrila

Localizado dentro do Boulevard de Las Viñas, pertinho da Plaza de Armas de Santa Cruz. Fomos para o jantar/festa e apreciamos um pôr do sol maravilhoso. Por ser  primavera, estava tudo cheio de rosas brancas. Com o sol se pondo, foi uma grata surpresa. Eu já tinha provado alguns pratos desse restaurante numa outra oportunidade no horário do almoço. Agora voltamos num evento no final de tarde e tudo que serviram estava bem saboroso. A especialidade da casa são as carnes, mas como o local tem estilo bar/restaurante, também são oferecidas porções, além dos pratos principais. As papas envero são deliciosas.

Na primavera e no verão, o ideal é chegar mais cedo para um happy hour e ver o pôr do sol da varanda com uma taça de espumante ou vinho branco nas mãos. Fica a dica!

Candil Steakhouse

Fomos para o jantar e posso dizer que foi a melhor picanha que eu já comi aqui no Chile. No local, trabalha o Diego, um paraguaio, filho de brasileiro, que fala português perfeito, além de saber muito de vinho. Foi ele quem nos sugeriu a picanha e o vinho que eu fiquei simplesmente apaixonada, um Grand Cuveé da Alchemy, uma vinícola muito pequena de vinhos feitos artesanalmente. Meu Deus! O sabor do vinho ainda está na minha memória. Quando escrevo os posts me recordo dos melhores momentos e fico sempre com vontade de voltar. 

Restaurante recomendado pelo Felipe, do hotel Parronales e gostamos muito. Vale repeteco. 

Importante

  • Se você se hospedar no Hotel Parronales, o Felipe liga para as vinícolas e reserva os tours para você.
  • Fomos de Santiago para Santa Cruz de carro, utilizamos Uber nos trajetos entre as vinícolas e foi tudo tranquilo.
  • Fomos numa sexta no final da tarde, curtimos o sábado inteiro de vinícolas e voltamos para Santiago no domingo cedinho.
  • Por ser primavera, estava bem quente. A temperatura variou entre 15 e 33 graus, mesmo assim recomendo levar um agasalho leve, pois a noite pode esfriar um pouco.
  • A média de preços nos restaurantes variam entre $ 40 mil e 45 mil pesos chilenos ( R$ 210 e R$ 240) o casal.

Com tantas dicas boas, tenho certeza que você ficou com vontade de incluir Colchagua no seu roteiro. Tem posts de outras vinícolas desse vale aqui no blog. Veja a minha listinha:

Agradeço a amiga Carul da @vinoevents pelo apoio e indicações nesta viagem.

Texto revisado por Bárbara Mussili, criadora do blog Refúgio Ameno

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