Deserto do Atacama com a família Mussili

por Rosi Guimarães

A Bárbara Mussili é uma amiga brasileira, que assim como eu, mora aqui em Santiago. Ela viajou para o Atacama com o Marido André e o filho Léo nas férias de julho.  Ela veio aqui no blog dar a sua contribuição com um texto lindo e contar tudo sobre essa viagem inesquecível para o deserto. Segundo ela, o Atacama é um lugar único. Vamos saber o porquê? Obrigada família Mussili, o post ficou perfeito!

Agora é com você Bárbara! Deserto do Atacama com a família Mussili…

Texto e fotos: Bárbara Mussili

Conhecer o Deserto do Atacama era um destino certo desde quando viemos morar no Chile. Dizem que quem conhece esse lugar não volta o mesmo e agora eu entendo o porquê. O Deserto é realmente um lugar único.

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A oportunidade surgiu nas férias de julho deste ano. Decidimos por um roteiro de 6 dias incluindo o dia de chegada e partida. Saímos de Santiago cedinho e tomamos um voo direto para a cidade de Calama, chamada terra do sol e do Cobre, que leva cerca de 2 horas. A vista aérea de aproximação já dava uma ideia do que nos esperava, uma vasta área de areia e muitos moinhos de vento.

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De Calama, partimos direto para San Pedro de Atacama que é a cidade base para quem quer conhecer o deserto. Optamos por alugar um carro. O percurso foi aproximadamente de uma hora e meia. Também existem translados oferecidos no aeroporto mas nós decidimos pelo carro porque também queríamos fazer os passeios de forma independente. Nesse caso, é importante que seja um 4X4 já que em alguns roteiros, o terreno requer tração nas quatro rodas.

Nossa hospedagem foi em um Hostel chamado Casa Solcor com um conceito diferente de hospedagem, o chamado bed & breakfast.

Um pouco distante do burburinho do centro principal (10 minutos caminhando), acolhedor, com um atendimento solícito e com uma área interna de convivência entre os hóspedes que ajudou bastante na troca de informação. A primeira coisa que fizemos depois de deixar as coisas no hotel foi sair para conhecer San Pedro e almoçar.

Deserto do Atacama

E aí ficou claro o astral da viagem. Imagine que a rua principal é de terra com as casinhas de adobe, o tradicional material de alvenaria das construções do lugar, a pracinha com a pequena Iglesia de San Pedro também de adobe, bicicletas, cachorros na rua e muitos turistas falando muitos idiomas diferentes. E aí você se pergunta: como pode um lugar tão isolado atrair gente do mundo inteiro? Agora vou explicar as razões.

San Pedro é um pueblito como chamamos por aqui. É muito pequeno mas cabe o mundo inteiro… Parou no tempo mas ao também evoluiu para atender sua vocação turística para os mochileiros de todas as idades mas com algo em comum, o gosto pela aventura. A rua principal, Caracoles, concentra muitos restaurantes, bares, mercadinhos, artesanato e principalmente as agências de turismo. Vale dizer que a gastronomia local é farta: tem de tudo e para todos os bolsos, de comida simples à elaborada, pizzarias, comida vegana, carnes, frutos do mar. Tudo aberto a partir do almoço até o final da noite. E cheio.

Deserto do Atacama

Deserto do Atacama

Munidos dos nossos mapas e das informações que colhemos, no nosso segundo dia fomos conhecer as Lagunas Cejar, Piedra e Tebinquinche no interior do Salar do Atacama. Assim como a maioria dos passeios, paga-se uma entrada para ingressar e circular no parque ou reserva. As lagoas são de um azul intenso e refletem a cordilheira e o Vulcão Licancabur como um espelho. A água é muito salgada, o que faz com que você flutue ao mergulhar. De quebra, nessa região, também pode-se conhecer os Ojos del Salar que são poços de água doce.

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Na parte da tarde desse dia, fomos para o Valle de la Luna que, pra mim, foi uma das paisagens mais incríveis já que, como o próprio nome diz, o cenário arenoso e de sal esculpido pelo vento é o que mais se aproxima do solo lunar. Dentro desse parque, há vários pontos para se conhecer como o Valle de la Muerte, as Tres Marias uma formação rochosa de sal milenar, as Minas de Sal que são cavernas por onde se pode ver seus cristais e percorrer um trajeto que, em alguns momentos, quase que você tem que deitar para passar. Existem vários setores para os amantes da fotografia mas o mais bonito é o que todos vão ao final da tarde para ver o sol se pôr no deserto e foi para onde fomos.

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O terceiro dia foi das Lagunas Altiplánicas. Esse passeio é um pouco mais distante pela Ruta del Desierto e cruzamos a linha imaginária do Trópico de Capricórnio. Desde então, o ambiente plano e de areia foi gradativamente mudando para um incrível contraste de uma vegetação rasteira, com neve e céu azul, além dos guanacos que são animais parecidos com as llamas e aves. Tivemos mais uma inacreditável surpresa: a 4.200 metros de altitude o deserto estava coberto de neve e as Lagunas Miscanti e Meñiques surgiram para nos fazer acreditar que realmente a natureza é soberana. No caminho de volta passamos por dois pequenos povoados, Toconao e Socaire, que resistem à aridez do deserto.

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Já o quarto dia, passeamos pelo Trekking de Guatin conhecido pelos seus cactos gigantes e uma vegetação chamada “cola de zorro”. Essa é uma área de caminhada de três horas mas optamos por um trecho mais curto e assim poder voltar para San Pedro mais cedo e nos prepararmos para o passeio de observação do famoso céu do Atacama, o Star Tours. Foi uma das mais lindas experiências pois além da aula que o francês Alain proporcionou ao grupo, em uma linguagem simples e bem-humorada, seu observatório conta com uma enorme praça de telescópios direcionados para a Via Láctea, Saturno, Plutão, Lua, estrelas que já morreram mas cuja luz só nos chega nos dias atuais…

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Nosso último dia ainda foi mais especial. Acordamos às 4:00 da manhã para ver o sol nascer nos Geysers del Tatio, um campo geotérmico a quase 5.000 metros de altitude cujo espetáculo de águas vulcânicas a 85 graus emergem de pequenos vulcões ao amanhecer do dia tornando o cenário absolutamente mágico e… gelado. No caminho, o termômetro do carro chegou a marcar -20 graus mas depois esquentou… para -10! Na volta conhecemos Machuca, outro pequeno e resistente povoado com poucas casinhas e uma igreja de 1933.

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Vale também comentar que o período do ano que escolhemos, o mês de julho, tivemos uma boa experiência em relação ao clima. De dia, a temperatura estava amena mas durante a noite caía bastante. Os passeios feitos em lugares de altitude requerem sempre roupas de frio mas o filtro solar é indispensável assim como óculos de sol, chapéu e lenços para proteger o rosto da areia e do vento. Como o clima é seco, a hidratação é fundamental, sempre saíamos com água e frutas ou barrinhas de cereais para o caso de bater aquela fome no meio do nada.

Definitivamente, o Atacama não é somente uma viagem de turismo, de aventura. É também um momento de conhecer um lugar onde a natureza se apresenta de uma forma única e nos faz pensar o quanto ela pode ser surpreendente. Nós amamos e recomendamos. Vale muito conhecer. Como dizem os chilenos, é verdadeiramente precioso!Familia Mussili Deserto do Atacama

 

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6 comentários

Leila Mara nascimento 28 de fevereiro de 2017 - 16:25

Adorei bom post.este blogs e o melhor que já pesquisei até agora.estou indo p o Chile em maio. E vou fazer Santiago e Atacama em 11 dias. Obrigada pelas dicas.

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Rosi Guimarães 14 de março de 2017 - 13:00

Oi Leila, tudo bem.
Já tem outros posts do Atacama no blog. Acabamos de chegar de lá e tem muitas novidades.
Um abraço!

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8 dicas para uma viagem sem perrengues ao Deserto do Atacama 23 de fevereiro de 2017 - 10:15

[…] preparado para estrada de pedras e terra. Minha amiga Bárbara fez os passeios com carro alugado, veja como foi a viagem dela aqui e deu tudo certo. Eu não faria, sou medrosa, acho que ficaria com medo de ficar perdida. No nosso […]

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Rosangela Silva 28 de dezembro de 2016 - 09:58

Sensacional esta reportagem sobre o Atacama. Estou planejando uma viagem ao Chile para 2017, e sinceramente estou dividida entre o Atacama e conhecer as Vinicolas.

Já li varias e estou encantada.

Gostaria de aproveitar para parabeniza-los pelas informações e dicas.

Abraços,
Rosangela

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Retrospectiva 2016: Top 5 melhores passeios no Chile 20 de dezembro de 2016 - 19:49

[…] O Atacama ocupou a quarta posição, citada por nossos leitores como lugar único e de paisagens incríveis. Nós ainda não conhecemos o Deserto do Atacama, mas minha amiga Bárbara Mussili conheceu e escreveu um post lindo para o blog. Clique aqui para ler o post. […]

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Chile: Qual é a melhor época para viajar? 23 de setembro de 2016 - 18:06

[…] no gosto dos turistas brasileiros. Vai viajar para o Chile pela segunda vez? Que tal incluir o Deserto do Atacama no seu roteiro? E […]

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