Final de semana completo na Vinícola Santa Cruz, Valle de Colchagua

por Rosi Guimarães

Eu e Flávio fomos passar mais um final de semana em Colchagua – um dos nossos vales preferidos aqui no Chile. Quem me acompanha há mais tempo sabe disso e pode ler todos os posts do Valle de Colchagua aqui.

Dessa vez, fomos para fazer várias atividades e para hospedar na vinícola Santa Cruz, além de aproveitar a Vendimia na praça central da cidade. Só esclarecendo: a cidade se chama Santa Cruz e a vinícola também, porém, esta última fica localizada no Valle de Lolol, ao lado de Colchagua.

Para começar, já quero mostrar a variedade de atrações que a vinícola Santa Cruz oferece. Motivos de sobra para você conhecê-la.

  • Seis museus, sendo três deles sobre as culturas Mapuche, Aymara e Rapa Nui, e também os museus do Meteorito, do automóvel e do vinho,
  • Teleférico para a parte mais alta do Cerro Chamán,
  • Restaurante,
  • Hospedagem,
  • Paraquedismo,
  • Passeios de bicicletas,
  • Centro astronômico,
  • Várias opções de tours e degustação de vinhos.

Enfim, a Santa Cruz é muito mais que uma vinícola e atividades não faltam.

Como chegar na vinícola Santa Cruz

Fomos no nosso carro e, saindo de Santiago, o trajeto leva cerca de duas horas e trinta minutos de viagem. Como eu já mencionei, Santa Cruz fica na estrada que vai para Lolol, um pouco depois de Colchagua. A via é muito bem sinalizada, não tem erro. Como sempre, a gente chega, estaciona o carro e só o pega na hora de voltar para Santiago. Sempre usamos Uber ou contratamos transfer para os trajetos entre as vinícolas. Afinal, bebida e direção não combinam. Caso você não queira alugar um carro, entre em contato com nossas agências parceiras para fazer um orçamento.

Chegamos na vinícola Santa Cruz às 10 horas do sábado e já tínhamos um tour programado. Nosso final de semana foi bem intenso, então continue lendo até o final para não perder nenhuma dica!

Tour Ícone na vinícola Santa Cruz

Esse tour começa com um passeio de teleférico que nos leva ao topo do Cerro Chamán. É um passeio autoguiado, o que achei interessante pois fiquei bem à vontade para tirar muitas fotos e fazer stories.

Se você ainda não me segue no Instagram, aproveita para começar a me acompanhar no @blognosnochile. E aviso também: esta não é minha primeira visita a esta vinícola. Aqui já tem post da Santa Cruz que escrevi em 2018.

Depois da descida do Cerro Chamán no teleférico, começamos o tour pelo o processo da produção dos vinhos e fazer a degustação. O tour já começou com a degustação de um vinho da uva País. Embora seja uma das parreiras mais antigas do Chile e tenha sido muito cultivada antigamente, a produção de vinhos dessa casta está voltando agora. É um vinho fresco, cor clara de rubi e com pouco corpo.

A guia nos contou que, devido às altas temperaturas, a colheita deste ano adiantou quase um mês. No início de março, as uvas já estavam sendo colhidas: Garnacha, Tempranillo e Merlot. Ela também explicou sobre todo o processo de vinificação, fermentação, maceração, tempo de guarda dos vinhos e tipos de barris utilizados pela vinícola. O vinho ícone tem dois anos de guarda em barricas francesas. E ele fez parte da nossa degustação.

Como eu já havia citado, a Santa Cruz tem vários museus e toda a decoração do casarão antigo da vinícola é feita com peças utilizadas no passado na produção do vinho. Garrafas antigas, abridores e até peças de igreja também fazem parte da decoração, que faz parte da história do vinho no Chile.

Chegamos, então, na sala de degustação, onde já havia três vinhos preparados para a degustação, junto com tábuas de queijos e torradas. O primeiro que degustamos nessa sala foi o Tupu 2016, uma mescla tinta de Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. Depois passamos ao Make Make 2017, uma mescla de Tempranillo e Garnacha. Por último, o mais especial da casa, um Santa Cruz 2015, Petit Verdot, com dois anos de guarda em barrica e dezoito meses em garrafa, antes de sair para o mercado.

A maioria dos vinhos da Santa Cruz tem alguma referência às culturas ancestrais, como aos Mapuche. A vinícola também se orgulha de ser a primeira no Chile a utilizar 100% de energia solar.

Terminado o tour, nosso compromisso foi na praça central da cidade para participar da Vendimia, a festa da colheita da uva. Já tínhamos reservado um transfer e chegamos na praça às 13 horas. Para saber mais sobre as Vendimias no Chile, acesse aqui.

Nossa hospedagem na Santa Cruz.

A vinícola Santa Cruz tem um hotel na praça central da cidade, mas, o que muitos não sabem, é que ela tem uma casa de hóspedes no meio do vinhedo. Fica afastada de tudo, tudo mesmo. Na noite em que estivemos lá nem internet tinha, só pela manhã de domingo conseguimos acesso.

A casa possui um estilo rústico, ideal para quem quer descansar e se desconectar. O exterior imita uma roca mapuche, mas o interior é bastante luxuoso. Banheiro grande, chuveiro quentinho e com muita água e um café da manhã de campo. O café é levado na porta do quarto. Bem completo e tudo muito delicioso. Como tínhamos um tour de bicicleta agendado às 10 da manhã, o tempo foi curto para curtir o lugar.

Tour de bicicleta na vinícola Santa Cruz

Foi o que eu mais gostei! O legal desse passeio é que a gente recebe as orientações, o mapa do caminho que vamos percorrer, uma sacolinha com água, frutas e barrinha de cereal e sai para pedalar sozinho. Assim, a gente para quantas vezes quiser e onde achar melhor. Vocês podem imaginar a quantidade de fotos e stories que fiz. Março é uma época linda, as parreiras estão lotadas de uvas e você pode degustar à vontade. Foi um passeio delicioso e aproveitamos para fazer fotos lindas. Já até fiquei com saudades. Foram cerca de duas horas de pedalada, não foi cansativo, pois fomos parando no nosso tempo. 

Almoço no restaurante da Santa Cruz

Eu avisei que nossa agenda foi intensa, por isso o post está ficando enorme. Mas continue lendo para não perder nenhuma dica. Essa vinícola é bem bacana para quem viaja com crianças. Tem muitas atividades e também muitos bichinhos.

O restaurante é bem charmosinho, com uma vista linda para o vinhedo. Como o Flávio ia voltar dirigindo para Santiago, só eu pude desfrutar de uma taça de vinho branco durante o almoço. De entrada: Pan amasado, sopaipilla e molhinho de pebre.

Sabia que é uma tradição a entradinha ser uma cortesia da casa aqui no Chile? Sempre vem um pãozinho com algum molho ou manteiga.

Eu pedi um prato bem tradicional: pastel de choclo. Estava bem saboroso. Flavio preferiu o salmão com saladas que também estava delicioso. Para sobremesa, escolhemos a famosa torta tres leches. Humm! Que delícia. Quando você vier ao Chile, tem que provar.

A torta tres leches está na listinha das coisas que você tem que experimentar no Chile.

Depois do almoço, antes de voltar para Santiago, ainda visitamos mais dois museus que ficam dentro da vinícola.

O museu do automóvel da vinícola Santa Cruz

Mesmo não sendo fã de automóveis, fiquei bastante surpresa com a quantidade e variedade dos mais de oitenta carros e motos de diversas épocas, como o carro mais antigo da América. Tem também o FOX do filme De volta para o futuro e até um carro de Fórmula 1. Com certeza, quem curte ficará fascinado e vai perder um bom tempo dentro desse museu.

O museu do vinho da vinícola Santa Cruz

Esse sim me impressionou: pelo tamanho, pela qualidade e variedade do acervo. Acho que até merece um post só dele aqui no blog. Para os amantes de vinhos, assim como eu, é imperdível. O museu conta a história enológica do vinho no mundo e o surgimento da bebida aqui no Chile. Separado por sete temas diferentes sobre o vinho, você percorre as salas temáticas, passando pela história do vinho no mundo e no Chile, depois a arte, a igreja e o vinho, o cultivo da uva e a elaboração do vinho. Depois, aprende sobre a fabricação das rolhas, das barricas, taças e garrafas. E, por último, sobre os aromas do vinho. Uma verdadeira aula sobre a produção dessa bebida milenar. 

Acredito que umas três horas é o ideal para apreciar com calma todas as partes do museu.

Verso de Pablo Neruda, um dos destaques do museu:

Vino color del día, vino color de noche, vino con pies de púrpura o sangre de topacio, vino, estrellado hijo de la tierra, vino, liso con una espada de oro, suave como un desordenado terciopelo, vino encaracolado y suspendido, amoroso, marino, nunca has cabido en una copa, en un cant, Gregorio eres y cuando menos, mutuo.”

Para finalizar, sei que o post está grande, mas, com certeza, você que chegou até aqui leu tudo e ficou com muita vontade de passar um final de semana em Santa Cruz. 

Agradeço a vinícola Santa Cruz pelo convite. Meu texto reflete minhas impressões do lugar.

Vinhos degustados neste final de semana em Colchagua

  • País 2015,  Santa Cruz
  • Tupu 2016, Santa Cruz
  • Make Make, 2017, Santa Cruz
  • Petit Verdot, 2015, Santa Cruz
  • Cool Coast,  2019, Sauvignon Blanc , Casa Silva
  • Viu Infinito, 2016,  Viu Manent
  • Microterroir Carménère, 2012, Casa Silva
  • Pangea, 2014, Ventisquero
  • Auma, 2014,  Koyle
  • Icono Grial, 2017, Apaltagua
  • Futa, 2015,  Calcu
  • Franco, 2014,  Maquis
  • Malbec, 2018, Polkura
  • Grey Blend, 2018, Ventisquero
  • GSM + T, 2016, Polkura
  • Rosé, 2019,  Los Vascos
  • Ninquén, 2017, MontGras
  • Purple Angel, 2017, Montes
  • Le Petit Clos, 2016, Clos Apalta.

A minha lista e minha paixão por vinhos só crescem!

Texto revisado por Bárbara Mussili, criadora do blog Refúgio Ameno

Planeje sua viagem com a gente!

Fazendo suas reservas aqui pelos links do blog você não paga nada a mais por isso, e ainda ajuda na manutenção da nossa página. Nossos parceiros foram escolhidos a dedo. Então não custa nada ajudar a gente.


Posts Relacionados

Gostou? Deixe aqui seu comentário