Foi ao Chile. Conte pra gente: Viagem da família Souza

por Rosi Guimarães

A série: Foi ao Chile. Conte pra gente, é um espaço que eu abri no blog para o leitor contar como foi sua viagem para o Chile. E hoje quem conta é o Martim Souza, ele  viajou com a esposa France, os filhos Isabella e Pedro e a mãe Silvana. Viajar em família é muito bom. Vamos ver como eles conseguiram conciliar os programas e agradar a todos.

Obrigada pela participação no blog! Agora é com você Martim!

Programamos nossa viagem para o período de 22 a 29 de março de 2016. Descobrimos, surpresos, que viajar com milhas para o Chile estava muito mais em conta do que viajar dentro do Brasil – para falar a verdade usaríamos metade das milhas! E olhe que moramos em Manaus!

Assim, definimos as datas, para não conflitar com a escola dos filhos e também para dar tempo de juntar alguma grana. 

Hospedagem

Optamos por escolher um imóvel oferecido pelo Airbnb. Foi a decisão correta, seja pelo valor, seja pela conveniência de termos toda a família junta (se ficássemos em hotel teríamos que reservar dois quartos) e também pelas muitas opções de hospedagem em Santiago por esse site.

O apartamento escolhido era no centro, bem próximo ao Cerro Santa Lucía. Praticamente só usamos transporte público ou andamos a pé mesmo.

 Consultamos vários sites, blogs e perfis no Instagram para montarmos nossa programação. E, claro, o Nós No Chile era uma referência obrigatória, pela clareza com que a Rosi escreve e por conta das informações estarem super atualizadas.

O grande desafio foi conciliar o perfil dos membros da familia: éramos 3 adultos (sendo uma da terceira idade), uma criança de 7 anos e uma adolescente de 16 anos. Estávamos preocupados em escolher passeios que agradassem a todos, mas posso adiantar que tudo deu certo.

Chegamos a tarde em Santiago, assim o primeiro dia foi destinado a nos acomodar, trocar pesos chilenos e fazer compras no supermercado.

No segundo dia fizemos um longo passeio, pois estávamos com bastante disposição. Iniciamos subindo o Cerro Santa Lucía. Muito bem cuidado, com jardins bonitos e uma vista bem interessante do centro histórico e do bairro Providencia.

Cerro Santa Lucia

Em seguida, fomos visitar o Museu Belas Artes, bem próximo ao Cerro Santa Lucía. A visita é gratuita, e uma dica é sempre ter em mãos uma moedinha de 100 pesos para usar o guarda volumes. Só valem as moedas novas, menores. O armário devolve a moeda quando você retira seus objetos.

Museu Bellas Artes

Dando prosseguimento, caminhamos pelo Parque Florestal, em direção ao Cerro San Cristóbal. Santiago tem vários parques urbanos, todos muito bem cuidados e sempre utilizados pelos moradores para piqueniques, passeios de bicicleta ou mesmo um cochilo na grama.

Dica de restaurante: Chegamos ao Pátio Bella Vista, onde almoçamos no restaurante Openbox. O menu do dia saiu por 5900 pesos, incluindo entrada (salada marina), o prato principal (estrogonofe ou salmão grelhado) e sobremesa (frutas da estação ou torta de limão).

A disposição estava grande, assim caminhamos até o Cerro San Cristóbal, onde tomamos o funicular para subir. No caminho eu e meu filho ficamos no zoológico, enquanto o resto do grupo continuou até o topo.

Achei o zoológico interessante, principalmente pelos animais típicos do Chile, como o pinguim de Humboldt, mas me incomodou o espaço exíguo para a maioria dos animais.

Pegamos novamente o funicular e apreciamos a vista do alto do Cerro. Infelizmente não foi possível ver a cordilheira, em virtude da poluição atmosférica. Mas é um passeio muito interessante e que vale a pena.

Cerro San Critobal

Lá no alto experimentamos o mote com huesillos, uma bebida típica chilena. São grãos de trigo e pêssego em um líquido doce e bem gelado. Uma característica interessante da alimentação no Chile é o uso, para nós exagerado, de açúcar em sucos.

Descemos do funicular e como continuávamos animados, pegamos o metrô na estação Baquedano para visitar o Costanera Center. Impressiona o tamanho do shopping e da divisão de lojas por andar. O quinto andar é uma gigantesca praça de alimentação. Lanchamos, caminhamos um pouco mais, compramos alguns itens no Jumbo e retornamos ao apartamento, exaustos.

O terceiro dia iniciou com a cerimônia da troca de guarda, no Palácio La Moneda. Realmente é um passeio imperdível para quem vem a Santiago, é muito emocionante.

Troca de guarda

Em seguida fomos ao Museu de Arte Precolombino. É um espaço situado no centro de Santiago com acervo riquíssimo, relativo não só aos povos que habitavam o Chile, mas também nas Américas Central e do Sul. São muitas peças de várias culturas e épocas, todas apresentadas de forma didática e com o contexto bem detalhado. O acervo realmente impressiona pela riqueza, em especial das etnias que ocuparam o território chileno. Destaque para a seção têxtil, com muitos exemplares de roupas, mantos e gorros. Quando visitamos havia uma exposição belíssima, temporária, de mantos funerários do povo Paraca, encontrados na região do Peru. Imperdível.

Museu Precolombino

Saindo do museu almoçamos na Pizzaria Napoli, no centro, um local não turístico, e muito procurado por quem trabalha no centro. Pedimos massas, que foram servidas muito rápido e estavam muito gostosas.

A tarde fizemos a visita à Vinícola Undurraga. Pegamos o metrô na estação La Moneda até a estação Central. Bem ao lado, no terminal San Borja, pegamos o ônibus para Talagante. Basta pedir ao motorista que pare na entrada da Vinícola. E se assegurar que o ônibus passa mesmo pela Vinícola, há itinerários para Talagante que não passam por lá.

Undurraga adega

Adoramos o tour. O guia era muito bem humorado e fazia várias piadas com os brasileiros, que eram a esmagadora maioria dos visitantes. Como estava na época da colheita, tivemos a oportunidade de comer algumas uvas pinot noir, estavam muito doces e gostosas.

Depois da visita bastou atravessar a via e aguardar o ônibus de volta a Santiago. Como era véspera do feriado da semana santa, o trânsito próximo ao terminal estava muito carregado, e o motorista solicitou que descêssemos antes e continuássemos a pé, pois senão demoraria muito.

O quarto dia se mostrou o mais especial da viagem. Programamos uma ida ao Cajón del Maipo. Optamos por contratar o serviço de uma empresa turística, no caso a Deep Trip Chile. A Deep tem uma promoção 3×4, três pagam mas quatro passeiam. Foi o melhor programa que fizemos.

Cajon Chile

O tour incluía uma visita ao Embalse El Yeso e depois ida às termas do Baño Colinas. No entanto, nosso guia, Alejandro, indicou que o melhor seria começar pelas termas, pois sendo feriado no Chile muitas pessoas iriam para lá e seria impossível aproveitar mais tarde.

Assim fizemos, e chegamos às termas por volta de 10h. O sol ainda não havia atingido a área das piscinas, e a temperatura exterior era de cerca de 10 graus. Já havia muita gente, pessoas de Santiago que estavam acampadas por lá.

A água é escaldante! É uma sensação singular, e muito boa, estar mergulhado nas águas, olhando a cordilheira. Só eu me aventurei, rs. Mas foi muito recompensador. A água é aquecida pelo vulcão San José, cuja última erupção ocorreu há 500 anos.

Cajon familia

Depois do banho, fizemos uma pequena caminhada até uma lanchonete, bem rústica, na entrada das termas. Nesse local comemos a melhor empanada da viagem, uma delícia! Havia empanada de queijo, de queijo e camarão e de mariscos. Por ser dia santo, não vendiam a empanada de pino, preparada com carne moída e milho.

Tudo pronto, partimos para o Embalse. Esse local é único, um lago situado no alto da cordilheira, de uma cor inigualável. Passeamos nas margens e tiramos muitas fotos. Havia também muita gente de Santiago aproveitando o feriado por lá.

Nesse aspecto, foi curioso perceber o quanto o chileno é despojado. No caminho de ida e volta há muitos cursos d’água e cachoeiras. Em todos, sem exceção, havia muitas famílias santiaguinas, acampadas ou somente aproveitando o dia. Sem muito conforto, mas se integrando plenamente à paisagem natural.

Cajon filha

Na volta do Embalse, fizemos uma pequena parada em San José del Maipo, onde visitamos uma feira de artesanato na praça e tomamos sorvete. Fica a recomendação para o tour organizado pela Deep Trip Chile! Todos adoramos, inclusive o Pedro.

Lembrando que crianças muito pequenas talvez não apreciem o passeio. Parte do deslocamento é feito em estradas não pavimentadas, e é demorado (mais de duas horas cada trecho). Acho que seria cansativo e sem atrações para elas.

Chegamos ao quinto dia. Começamos com uma rápida ida ao Mercado Central, apenas para conhecermos as bancas com peixes e frutos do mar. Como era de manhã, não sofremos o costumeiro assédio por parte dos garçons.

Mercado central

Em seguida conhecemos a Plaza de Armas e a catedral de Santiago, que impressiona pelo tamanho. Havia uma missa na capela de Nossa Senhora del Carmen, na entrada do santuário.

Depois fomos ao Museu Histórico Nacional, também na Plaza. O Museu conta a história chilena desde os primeiros habitantes até o golpe militar de 1973. Há muitos objetos históricos e todo o trajeto é muito didático, explicando os diversos períodos com muitas informações. Há maquetes muito bem feitas, incluindo uma de Santiago. A entrada é gratuita. Uma dica valiosa é alugar por 1000 pesos um áudio guia na entrada, há opção de língua portuguesa. Passeio excelente.

Almoçamos no centro, em um restaurante peruano ao lado da catedral, chamado El Aji Seco, muito bom. Depois, fomos de metrô até a Quinta Normal, outro parque gigantesco.

Parque Quinta Normal

Lá fica o Museu de História Natural, também de entrada gratuita, e que leva o visitante a conhecer todas as regiões chilenas, de norte a sul. Muitas informações, muitos animais empalhados mostrando toda a variedade das paisagens naturais chilenas. Excelente!

No dia em que fomos havia uma exposição temporária de cetáceos,  muito bacana. E também aproveitamos uma pequena palestra feita sobre a Ilha de Páscoa.

Quinta Normal Baleia

O sexto dia foi dedicado ao Museu Interativo Mirador. Estávamos ansiosos para conhecê-lo, em virtude das muitas recomendações nos blogs e sites. Realmente é um passeio único e que agradou bastante a todos de nosso grupo. Os adultos parecem se divertir mais do que as crianças.

Museu Mirador

O museu não estava cheio, e assim conseguimos participar da oficina chamada “Casa Sísmica”, na qual se simula um terremoto de 8 graus. Assustador e instrutivo.

O único ponto a desejar foi a qualidade do almoço no museu. Muito insosso, fraquinho.

Depois do passeio ao museu fomos uma vez mais ao Pátio Bella Vista, onde compramos alguns itens nas lojas de artesanato. Não vimos muita diferença entre os preços lá e das outras feiras que visitamos.

Chegamos ao penúltimo dia de nossa viagem, o último em que iríamos fazer algum passeio, pois nosso voo seria na manhã seguinte. Fomos de ônibus para Valparaíso. Fomos ao terminal Alameda, ao lado da estação de metrô Universidade de Santiago, e lá tomamos o ônibus da Turbus. Compramos na volta o open ticket, que garante embarque tanto de Valpo quanto de Viña del Mar, e no horário disponível.

Valparaiso

O ônibus faz uma parada no terminal Pajaritos, onde também para o metrô. Se você vai só, ou mesmo de casal, é melhor embarcar no Pajaritos, ganha-se um pouco de tempo. Como éramos um grupo, optamos por embarcar na Alameda, de onde parte o ônibus.

Adoramos Valparaíso! No próprio terminal rodoviário fomos ao guichê de informações turísticas, onde uma atendente muito prestativa nos deu um mapa e nos orientou sobre como ir até o Cerro Alegre a pé. Subimos no Ascensor Victoria Reina e aproveitamos bastante o passeio pelos cerros.

Almoçamos no restaurante Mito (menu do dia a 7800 pesos). O cardápio incluiu uma sopa de abóbora de entrada, filé de albacora como prato principal e melão flambado na sobremesa. Tudo muito delicioso. Depois, passeamos um pouco pelo porto e tomamos o metrô até Viña del Mar. Nesta cidade caminhamos um pouco pela orla e depois retornamos para Santiago. Para nós Valparaíso valeu muito mais o passeio, mais charmosa e atrativa.

Viña

Enfim, esse foi o roteiro que realizamos nesse passeio inesquecível ao Chile. Seguem abaixo algumas observações sobre a viagem.

  • Câmbio: Tanto em Santiago quanto em Valpo fizemos o câmbio a 175 pesos por real. Durante o feriado só encontramos a 160 pesos.
  • Clima: fomos agora no feriado da semana santa, início do outono. Sentimos calor em alguns dias, mas durante a madrugada a temperatura cai, o dia inicia por volta dos 12 graus.
  • Alimentação: Nos restaurantes em que fomos gastamos em média 32000 pesos por refeição, para quatro adultos, sem bebidas alcoólicas.
  • Supermercados: Utilizamos o Jumbo do Costanera Center e o Líder Express da Rua Merced. Muitas opções, tudo muito parecido com o Brasil.
  • Gentileza dos chilenos: Algo que precisa ser registrado. Todos os atendentes de todos os lugares são muito gentis, te cumprimentam e te tratam com urbanidade e respeito. São pacientes com o idioma, solícitos e se preocupam em ajudar efetivamente. Um povo muito acolhedor.

Essa é a viagem da família Souza, e a sua, como foi? Quer contar pra gente. Envie um e.mail para: [email protected]

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1 comentário

Cláudia 25 de abril de 2016 - 08:14

Adorei o relato dos passeios ! Parabéns a Família !

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