Fomos conhecer mais uma vinícola aqui no Chile, mas, dessa vez, uma vinícola diferente, tão diferente que até nosso filho Arthur, que não gosta de visitar viñas (aliás, tanto para o Arthur quanto para a Yasmim esse é o pior passeio aqui no Chile, já pra mim, é o melhor. Amo!), quis ir com a gente.

E vou contar porque ela é diferente. É diferente porque é de um casal de brasileiros, Marcos Attilio e Angela Mochi, que largaram tudo no Brasil em 2011 para vir realizar o sonho de produzir vinhos de excelência aqui no Chile, e isso é muito legal!

E o que mais? Chegamos na vinícola e o Marcos estava conduzindo um trator e fazendo a poda da grama ao redor do vinhedo. E a Angela foi quem nos recebeu com muito carinho. Ou seja, são eles que fazem tudo!

Um pouco da história do casal

Marcos e Angela são Engenheiros de Alimentos formados pela UNICAMP e sempre inquietos (como diz a própria Angela). No Brasil foram donos de restaurante, depois abriram uma loja de vinhos e também uma importadora de vinhos, o que permitiu a eles provar e se apaixonar por estilos diferentes de vinhos.

E certo dia o Marcos vira para a Angela e diz: Por que não produzimos nosso próprio vinho? E foi aí que tudo começou! Já encantados com os vinhos chilenos, escolheu o Chile – Valle de Casablanca, para a realização desse sonho.

Chegando aqui no Chile as coisas não foram fáceis. Quando eles diziam aos chilenos que eles queriam comprar uvas para produzir seus próprios vinhos, os chilenos achavam engraçado. Como assim? Brasileiros querendo produzir vinhos? Mas a recompensa veio logo depois, quando os vinhos Tunquen Malbec e Tunquen Cabernet Franc saíram entre os Melhores do Ano do Descorchados 2013.

Eles compravam uvas porque ainda não tinham o seu próprio terreno. Hoje o casal já tem seu próprio vinhedo e conta orgulhoso e esperançoso que irá produzir vinhos no próximo ano com as uvas plantadas por eles. São oito variedades plantadas no terreno, com foco nos tintos:  Cabernet Franc, Malbec, Pinot Noir, Syrah, Sauvignon Blanc, Viognier, Roussane e o primeiro Grenache de Casablanca. Produzir vinhos tintos em Casablanca era um desafio, já que esse Valle é típico pela produção de vinhos brancos. E vou confessar, não gosto de Malbec, mas quando provei o Tunquen Malbec deles fiquei surpresa. Delicioso e leve!

Como conhecer a vinícola?

Essa é apenas uma parte da história dos vinhateiros brasileiros que produzem vinhos premiados aqui no Chile. Se quiser conhecer mais e degustar os vinhos produzidos por eles, precisa agendar uma visita.

A Angela é quem recebe os curiosos por esta história e amantes de vinhos com muito carinho e ainda prepara uma mesa linda com queijo de cabra, azeitonas, azeite e pão que ela mesma faz.

O tour é muito personalizado e eles não estão preparados para receber grupos grandes. Aliás, segundo a Angela, eles começaram a receber turistas há menos de 6 meses e tem sido uma experiência muito positiva, seu público maior são os europeus.

Mas… Não vá buscando uma vinícola requintada, bonita e estilosa, como as grandes viñas chilenas. Esse não é o objetivo da Attílio & Mochi. A adega deles é em containers. No momento, eles estão preocupados é com mais qualidade para seus vinhos sigam sendo premiados e estão investindo em maquinário e novas tecnologias para isso. É uma vinícola para quem busca uma história de sucesso, vinhos de excelência e ainda, para nós brasileiros, o orgulho de ser do nosso Brasilsão.

Eu, Flávio e Arthur saímos de lá com o sentimento de orgulho. Por diversas vezes em que a Angela contava a história deles me sentia arrepiada. É um tour para quem quer conhecer de perto o processo de produção do vinho, já que são eles que fazem todo o processo e nos conta tudo com detalhes, como: a forma de irrigação do terreno, como decidiram plantar cada espécie de uva em cada parte do terreno, como vão provando o vinho, como fazem a seleção das uvas, enfim… Não vá buscando o luxo, mas sim uma história de vida e de sucesso do casal, e é claro, a qualidade dos vinhos produzidos por eles.

 

Os vinhos

Para o casal, o importante era produzir vinhos de características únicas, multifacetados, que segundo a Angela: “assim como as pessoas, um vinho complexo é muito mais interessante”. E o Valle de Casablanca era perfeito para o objetivo deles. Outro objetivo importante era uma produção pequena e limitada para que eles mesmos pudessem cuidar de todas as etapas da vinificação. E assim é, e eles não querem ser grandes. Pensando nisso eles são membros do MOVI –  Movimento de Vinhateiros Independentes do Chile.

E assim são os vinhos produzidos por eles. Todos premiados. Você pode comprar os vinhos no dia da visita. Nós, é lógico, compramos. E os vinhos também já estão disponíveis nos supermercados de Santiago, como o Jumbo e Líder.

 O Tour na vinícola

A vinícola é a casa deles, eles são os anfitriões. O tour dura uma média de 1:30h, começando com uma caminhada pelos vinhedo, onde eles mostram as variedades plantadas. Explicam tudo sobre o método de plantio. Depois passam para a parte interna, onde explicam todo o processo de produção do vinho, desde a colheita até o engarramento. Como a vinícola é pequena, dá para ver e tocar em tudo, inclusive fazer todas as perguntas que quiser. E, por fim, a melhor parte,  uma degustação de 3 vinhos com coisinhas gostosas. Arthur até ajudou a partir o pão que estava delicioso!

Para agendar uma visita você precisa de enviar um e-mail para: angela@attiliomochi.com.

Para ter mais informações você pode entrar no site da vinícola clicando aqui.

Não poderia deixar de falar do Franc, um labrador muito simpático que acompanha a gente o tempo todo durante a visita e fica esperando um pedacinho de pão na hora da degustação.

Agradeço à Angela e ao Marcos pelo convite para conhecer a vinícola. Saímos realmente encantados.

Só sei que já estou precisando volta na vinícola para atualizar as fotos aqui dos post, pois agora o casal Atillio & Mochi já tem outros vinhos e com as etiquetas bem mais bonitas.