Hoje eu vou te contar sobre a vinícola Santa Carolina, localizada muito pertinho de Santiago e de fácil acesso utilizando o metrô. 

Resolvi visitar novamente a Santa Carolina. Quando a visitei a primeira vez, ela tinha acabado de ser reaberta após um período de obras . Mas como gosto de atualizar os posts, resolvi voltar para conferir as novidades.

Quem leu meu post anterior, sabe que esta vinícola é tradicional, uma das mais antigas do país. A vinícola Santa Carolina  foi fundada em 1875 por Don Luis Pereira, sendo, então, uma das mas antigas e a terceira maior do país. Precursor, Don Luis viajou para a Europa e voltou para o Chile com cinco enólogos para renovar e melhorar o processo de produção. Seu vinhedos se espalharam pelo Chile como nos Valles del Maipo, de Leyda, de Rapel, del Maule e de Itata.

A localização do casarão patrimonial fica localizado em Macul, pertinho de Santiago. É neste lugar onde são feitos os tours que custam $ 14.000 por pessoa.

Ainda que não se possa apreciar os vinhedos, a visitação tem vários toques especiais. O primeiro, na parte externa, é poder admirar uma imponente palmeira imperial espanhola que sobreviveu a cinco grandes terremotos. O segundo deles é ser recebido no interior do casarão com a primeira degustação do dia: um Sauvignon Blanc – Estrella de Oro (safra 2018). Outro detalhe é a adega subterrânea, construída através da técnica de cal y canto e que foi declarada monumento nacional do Chile em março de 1973. Além da adega subterrânea, há uma outra na superfície, onde foi nossa segunda degustação, um Petit Verdot Gran Reserva – 2014.

A vinícola produz quatro linas de produtos: Reserva, Gran Reserva, Premium e Icone. Um destaque importante é que, em 1889, um dos vinhos da linha Reserva já havia sido reconhecido internacionalmente em uma exposição internacional em Paris, tendo sido o primeiro vinho chileno a receber esta honraria. Atualmente, de toda a produção, 95% é exportada e o Brasil é o terceiro país consumidor da vinícola. O vinho premiado é produzido até hoje.

A produção dos vinhos segue até hoje a tradição de seu fundador. O Cabernet Sauvignon 2016, por exemplo, permanece quatorze meses em barril de carvalho francês e seis meses em garrafa. E a nossa última degustação foi justamente este vinho, em um lugar especialíssimo: a adega privada de Don Luis.

Ao final, o visitante ganha uma garrafa de vinho de 350 ml e pode degustá-la ali mesmo adquirindo uma tábua de frios a $ 19.900. É uma boa maneira de terminar o passeio e aproveitar o astral do lugar.

Observei que durante o período entre a minha primeira visita e esta, o tour foi aperfeiçoado, está mais agradável, as pessoas ficam mais à vontade, podem permanecer degustando o vinho enquanto continuam o tour. A loja também oferece degustação por taça. E o mais importante: não perdeu sua essência de apresentar a história dessa vinícola tão tradicional.

Relato da primeira primeira visita em 2015

Maridão trabalhando, filhos no colégio e já cansados de visitar vinícolas. Cá entre nós, para as crianças e adolescentes, este não é um passeio muito atrativo, mas, das que já visitamos, eles gostaram da Casas del Bosque, da Viu Manent e da Emiliana. A primeira porque foi a oportunidade de passarmos um dia em família, a segunda pelo passeio de charrete bem diferente e a terceira porque fizemos um piquenique.

Sendo assim, lá fui eu conhecer a Santa Carolina. Adoro conhecer vinícolas!

Sempre me perguntei por que esta vinícola não é tão divulgada, já que é uma das cinco maiores do Chile e os vinhos são bem apreciados pelos brasileiros. Descobri, então, que ela estava fechada para reforma devido aos abalos sofridos pelo terremoto de 2010 e só reabriu para tours em março 2015 para comemorar seus 140 anos.

Declarada Monumento Histórico do Chile em 1973, a Santa Carolina representa parte da história e das belezas naturais do país. Fica localizada na região de Maipo, muito perto de Santiago, e dá para ir de metrô. Levei menos de quarenta minutos para chegar, pagando apenas uma passagem de metrô de no valor de $ 720 (R$ 3,80). Muito fácil e rápido de chegar por conta.

O tour foi acompanhado pela guia Andrea, uma chilena muito simpática e com o português perfeito, e começou em um lindo jardim. Nele, tivemos o privilégio de admirar o copihue, a flor que é um símbolo nacional chileno e que, infelizmente, está em extinção. Como era um dia de primavera, as flores e as cores davam um toque especial ao local.

Em seguida, entramos na Casona Colonial, onde degustamos o primeiro vinho: um Sauvignon Blanc, da linha Specialties. Servido gelado e ideal para um dia de sol, como no dia da visita. Hummm! Delicioso. Fiquei surpresa!

Depois, passamos para as adegas da superfície, um lugar lindo onde se realizam as maiores e melhores festas do Chile, principalmente de casamentos. Sim! A vinícola é o maior centro de eventos do país. Eu, como organizadora de eventos, já fiquei ali com mil e uma ideias na cabeça. E aí degustamos o segundo vinho – um gran reserva Petit Verdot, que eu ainda não conhecia. A Santa Carolina foi a primeira vinícola chilena a produzir um vinho 100% desta uva.

Descemos então para a cava subterrânea, onde o quadro do prêmio recebido pela linha Reserva de Família, lançada em 1889 no evento de inauguração da Torre Eiffel, está em exposição. E passamos a degustar o terceiro vinho – Carménère  – Reserva de Família, também muito bom.

Enfim, foram três vinhos deliciosos que são apresentados e degustados durante o percurso do tour. Algo bem descontraído e que você pode seguir caminhando com sua taça. A cada degustação uma taça limpa. O tour termina na loja, onde os preços são bem atrativos e tem vários vinhos que não vendem no Brasil.

Vantagens

Tour super agradável. Poucos turistas (éramos apenas 5), o que tornou o ambiente mais intimista, descontraído e menos formal. Você ganha de presente uma garrafa de 375 ml do Cabernet Sauvignon – Reserva 2013. Adorei!

Desvantagens

A propriedade não tem plantação de uvas, então não é possível apreciar as parreiras. Os vinhedos estão espalhados por vários vales chilenos e também um argentino, em Mendoza.

Informações:

  • Horários dos tours: de segunda a sexta, às 10h, 11h30, 15h e 16h30. Domingo: 12 horas
  • Valor: $ 14.000 por pessoa
  • Duração: aproximadamente 1 hora.
  • Reservas pelo e-mail: [email protected]
  • O pagamento pode ser feito no mesmo dia da visita, em dólares, pesos chilenos, ou cartão.
  • Endereço: Rua Til Til, nº 2228 – Macul, Santiago, próximo a estação do metrô Rodrigo de Araya (linha 5)

Como chegar: Pegar o metrô, linha 1 – vermelha, até a estação Baquedano. Nessa estação, trocar para a linha 5 – verde, em sentido a Vicente Valdés e descer na estação Rodrigo de Araya. Da estação até a vinícola são oitocento metros de caminhada. O trajeto é feio, mas não perigoso. É uma região de empresas. Não compensa pegar táxi, é muito perto.

ATENÇÃO: a hora do rush do metrô ocorre de segunda a sexta-feira, das 7 às 9 horas e das 18 às 20 horas. Além de estarem mais cheios, os trens não param em todas as estações, mas sim naquelas em que corresponderem às cores da estação e do trem. O trem com a luz vermelha só para na estação de mesma. O mesmo acontece com o de luz verde. Então, você vai precisar pegar o metrô que tem uma luzinha verde na parte superior da porta, porque a estação que você vai descer é verde. As cores de cada estação podem ser verificadas nos painéis de embarque.

Visitar a Santa Carolina realmente é uma boa opção para quem está com pouco tempo e quer conhecer uma vinícola pertinho de Santiago. O meu tour era às 10 horas e às 12 horas eu já estava de volta, muito rápido. É uma boa experiência, além do lugar ser bem lindinho. Fica a dica!

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