Valle de Colchagua: como conhecer 3 vinícolas no mesmo dia

por Rosi Guimarães

Galerinha,

Fui passar mais um final de semana com o maridão no Valle de Colchagua, desta vez para visitar vinícolas pequenas, e lá se vão mais três para a minha lista que só cresce: já são quase cinquenta visitadas.

Como mencionei, o foco foi conhecer pequenos produtores, menos conhecidos, mas que produzem excelentes vinhos. Nós já conhecemos as vinícolas grandes e famosas do Valle de Colchagua e vou deixar os links dos posts aqui pra vocês! 

Saímos de Santiago no sábado cedinho no nosso carro com destino à vinícola Las Niñas. Sempre quis conhecê-la por causa da fama de seus vinhos. Fizemos uma reserva prévia já que o ideal é agendar as visitas antes, principalmente porque as vinícolas ficam mais vazias no inverno e não abrem todos os dias. No verão, é mais tranquilo. 

Vinícola Las Niñas – a primeira do dia no Valle de Colchagua

Antes das dez da manhã já estávamos na vinícola. Frio, tudo nublado e o vinhedo sem folhas: cenário típico de inverno. Ainda assim, acho que vale a visita nessa época do ano. Mesmo seco, tem seu charme. Vale informar que, no inverno, a vinícola Las Niñas não faz tour, apenas degustação.

A Las Niñas foi fundada em 1996 por uma família de origem espanhola e francesa. Seu nome justifica o fato de que ela é dirigida por mulheres.

É uma vinícola orgânica, sustentável e que valoriza a conexão com o meio de ambiente. A maior parte de sua produção é exportada para a Europa. Só 2% fica no Chile e está à venda em poucos locais.

Quando chegamos, o guia Guillermo já estava na porta nos esperando. Ao entrarmos, ele foi preparar nossa degustação. Enquanto preparava, nos explicou um pouco da história da vinícola.

Fizemos uma opção com degustação de cinco vinhos.

Primeira degustação: Chardonnay Sin Filtrar. Um vinho bem diferente, a começar pela cor. Sua produção é pequena. Como não passa por filtração mecânica, mantém sua característica, volume e aromas.

Segunda degustação: Mourvedre Rosé. Uma cor linda, meio alaranjado. Sua uva é diferente, pouco comum aqui no Chile, mas conhecida na Espanha e na França. Tem um aroma bem adocicado, mas não tem nada de doce quando a degustamos. Um detalhe é que a toda a colheita desta uva é feita à mão.

Terceira degustação: Carménère. É uma uva emblemática do Chile, por ser o país que mais a produz: cerca de 80% do que é produzido no mundo vem daqui.

Quarta degustação: Mítica Premium. Seleção especial, elaborada com as melhores uvas de cada ano. É um vinho mais encorpado, com cor mais marcante. O nome do rótulo está inspirado no conceito espiritual.

Quinta degustação: mescla de Syrah e Mourvedre. É um Premium com dezoito meses de guarda em barril francês. Sua cor é marcante e seu aroma, delicioso. Adorei. Fácil de tomar.

O ícone da vinícola chama-se El Guapo, o único vinho masculino de Las Niñas. A edição é de 2012, após dois anos de guarda em barrica. A produção é de 1.500 garrafas por ano e são todas numeradas. Não degustamos esse!

A degustação foi perfeita. Vinhos de excelente qualidade, com guarda em barris franceses, que agrega pouca madeira aos vinhos. Do jeito que eu gosto!

Foi muito interessante ouvir a história dos nomes de cada vinho, os detalhes de sua elaboração, de cada etiqueta, cada desenho. Tudo tem uma explicação. Ao final da degustação, o tempo já tinha aberto e o sol dado o ar da graça, então aproveitamos para tirar fotos nesse vinhedo lindo!

Vinícola Estampa – a segunda do dia no Valle de Colchagua

A vinícola, fundada no ano 2000, é jovem. Seu nome vem de um moinho antigo da família. Também é uma vinícola pequena e especializada nas mesclas.

Fizemos o tour, mas seu foco é no verão quando é possível aproveitar seu restaurante com uma vista linda para o vinhedo. A época ideal para visitá-la é entre fevereiro e maio, quando acontece a colheita das uvas. Já quero voltar no verão para curtir o entardecer na Estampa.

O tour começa no vinhedo, mas como já disse, nessa época do ano, está tudo seco e podado. O guia Felipe mostrou um pouco do processo da produção dos vinhos. Passamos pela bodega, que é bem bonita e tem barris pintados por artistas chilenos. Ele também explicou sobre o processo de fermentação e os tipos de barricas que a vinícola utiliza.

Na degustação, provamos três vinhos Carménère blend. O primeiro foi um Reserva, mescla de Carménère e Malbec, depois um Gran Reserva de Carménère, Syrah e Cabernet Sauvignon. Por último e sempre o melhor, um Premium das seguintes mesclas: Carménère, Petit Verdot e Cabernet Sauvignon.

O Felipe foi muito simpático e nos atendeu super bem, destacando o diferencial de ser uma vinícola pequena, ainda que seja pouco conhecido pelos brasileiros, pois apenas 1% dos vinhos da Estampa são exportados para o Brasil.

A ideia da viagem era essa mesmo: conhecer vinícolas de pequenas produções e degustar vinhos diferentes e de excelente qualidade. Vale conhecer a vinícola? Com certeza, mas de preferência no verão.

Vinícola Ventisquero – a terceira do dia e com direito a pôr do sol no Valle de Colchagua

Deixei essa vinícola por último porque já sabia da fama de seu Sunset na Terraza e não me decepcionei.

Também é uma vinícola familiar e jovem, do ano de 1998, e já coleciona prêmios que reconhecem sua qualidade. Quem sabe um pouco de vinho, com certeza já ouviu falar do rótulo Grey.

A Ventisquero não oferece tour porque, apesar de ter um vinhedo enorme, ela não produz os vinhos em Colchagua. Depois da colheita, as uvas são levadas para o Valle de Maipo, pertinho de Santiago, onde é feita a produção.

“Rosi, mesmo assim vale visitar a vinícola?” Claro que vale. Quer alguns motivos? Os vinhos são maravilhosos. A vista é perfeita, o pôr do sol é imperdível e a degustação com uma tábua de queijos é deliciosa.

Quem nos recebeu foi a Maria Elena. Muito simpática, ela nos deixou muito à vontade e nos explicou sobre cada vinho degustado (como amantes da Ventisquero, já conhecíamos quase todos). Mas sempre tem uma surpresa: fizemos a degustação de vinhos premium e ícones, como o vinho Vértice. E o mais legal foi que, olhando o terrenos onde estão os vinhedos de onde saem as uvas, pudemos constatar que sua forma é exatamente um vértice, como está na etiqueta. O Vértice é uma mescla de 50% Carménère e 50% Syrah.

Degustamos vinhos de excelente qualidade: Grey, Vértice, Pangea e Enclave.

Uma curiosidade sobre o vinho Pangea é que esta palavra se origina do grego. Pan significa todo e gea, terra, ou seja, toda la tierra. Esse é o nome que se atribui ao continente original de toda a terra antes de sua divisão. Segundo estudos, antes dessa separação, Chile e Austrália formavam um só território. Por isso, em homenagem ao trabalho conjunto dos enólogos, um chileno e outro australiano, o rótulo assumiu esse nome. É um vinho 100% Syrah. Intenso, robusto, negro, potente, 22 meses de guarda em barril francês.

Enquanto estávamos lá, chegou mais um casal de brasileiros (ela, leitora do Nós no Chile) e outro de chilenos. Todos em busca do pôr do sol perfeito em Colchagua. E ele não nos decepcionou. Foi realmente perfeito, boa companhia, excelentes vinhos e um entardecer inesquecível. Saí de lá com a certeza que quero voltar no verão quando o sol se põe às 21 horas e a gente pode aproveitar melhor os vinhos e o espetáculo.

Onde comer no Valle de Colchagua?

Almoçamos no restaurante Casa Colchagua, que oferece comidas típicas chilenas. Já havia comido aqui antes. Muito bom, estou escrevendo um post com as melhores opções de restaurante no Valle de Colchagua. Espero terminar em breve e deixar o link aqui para vocês.

Jantamos em um italiano, La Famiglia de Santis, que ainda não conhecíamos. Comemos uma pizza deliciosa e, para variar, tomamos um vinho. Fomos bem atendidos por um garçom que havia morado no Brasil durante muitos anos e falava português perfeito.

Onde nos hospedamos:

Hotel La Perla. Fizemos nossa reserva pelo Booking e ganhamos um bom desconto.  Acessa para para reservar o Hotel La Perla no Booking com desconto.

Como nos locomovemos: fomos no nosso carro, de Santiago para Colchagua. Estacionamos no hotel e nos locomovemos entre as vinícolas utilizando Uber. Deu tudo certo. Afinal de contas, bebida e direção não combinam!

É amante de bons vinhos? Coloque o Valle de Colchagua na sua listinha de destinos, tenho certeza que não irá se arrepender! Vai por mim!

Texto revisado por Bárbara Mussili, criadora do blog Refúgio Ameno

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6 comentários

JUCILENE ANASTACIO 23 de setembro de 2019 - 20:05

Ola´Rosi, estou indo para o Chile em 01.10 e já estou devorando seus posts, blog, Instagram e Youtube há algumas semanas. Uma dúvida: como saber o valor das visitas cobradas por essas vinícolas que vc mencionou? Eu estou certa de que preferiria ir a essa do que as mais conhecidas e grandes. Obrigadinha, bjs.

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Rosi Guimarães 25 de setembro de 2019 - 11:46

Oi Jucilene,
Depende do tour e degustação que você quer fazer, pelos sites da vinícolas você consegue ver os valores, mas à partir de 20.000 Pesos chilenos é possível contratar um bom tour.
Um abraço e boa viagem!

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Cristina Motta 23 de setembro de 2019 - 10:51

Olá, Rosi, adorando seus posts!
Queria um dica,por favor. Estou indo passar 2 dias com o meu marido, 11e 12 de outubro/2019, no Vale do Colchagua. A idéia é alugar um carro e sair de Santiago de manhã cedo no primeiro dia e dormir no Vale mesmo. Quais as vinícolas que você sugere? Já temos um pouco de experiência em vinícolas em outros lugares e queríamos conhecer vinhos de qualidade, não necessariamente comerciais. Talvez mesclar os dois. E quanto à hospedagem ? Melhor ficar em hotel em Santa Cruz ou se hospedar em uma vinícola?
Um abraço

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Rosi Guimarães 23 de setembro de 2019 - 14:20

Cristina, tudo bem?
Aqui nesse link voc[e vai se encantar com outros lugares em colchagua https://nosnochile.com.br/categorias/vinicolas/valle-de-colchagua/. Tem dicas de hospedagem também. Nós ainda não nos hospedamos no hotel da Casa Silva, mas parece ser bem bacana. Não deixe de ir na Clos Apalta. A Neyen também é linda e vinho de escelente qualidade https://nosnochile.com.br/que-tal-uma-viagem-romantica-pelo-valle-de-colchagua-no-chile/.
Um abraço e boa viagem!

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thiago 12 de setembro de 2019 - 13:44

Oi Rosi. Sabe dizer se tem alguma agência q tenha um pacote fechado para o Vale do Colchagua. Passeio de um dia apenas? saindo de Santiago. Tipo conhecer umas duas vínicolas mais o almoço?
Obrigado e parabéns pelo site.

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Rosi Guimarães 13 de setembro de 2019 - 09:53

Oi Thiago,
Temos agências parceiras no blog e sei que a Sousas tour e Indo pro Chile oferecem passeios para Colchagua. Veja nesse link https://nosnochile.com.br/parceiros/
Um abraço!

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