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Roteiro de 5 dias na Carretera Austral: O que fazer na Patagônia chilena

Roteiro de 5 dias na Carretera Austral: O que fazer na Patagônia chilena
Índice

Dia 1: Como chegar e o início da aventura

Dia 2: De Puerto Bertrand ao encontro dos rios

Dia 3: A capela, a catedral e as cavernas de mármore

Dia 4: Parque Nacional Queulat e o Glaciar Vestisquero suspenso

Dia 5: A cidade de Coyhaique

O que levar na mala para a Carretera Austral: itens essenciais

Dica final: Como organizar sua viagem

A Carretera Austral é, sem dúvida, uma das estradas mais sensacionais do mundo. Percorrê-la é o sonho de muitos viajantes que buscam conexão real com a natureza bruta da Patagônia. Recentemente, nós, eu e meu marido, Flávio, vivemos essa experiência mais uma vez e preparamos este roteiro para ajudar você a desbravar essa região de lagos azul-turquesa e geleiras milenares, cavernas de mármore e outras lindezas.

Já tem vídeo completinho no nosso canal do Youtube:

É importante contar que este roteiro foi realizado no auge do verão, em janeiro de 2026. Mas essa não foi a nossa primeira vez por aqui. Nós somos apaixonados por esse pedaço do Chile e visitamos a região também no outono – abril de 2023 e outras duas vezes no inverno – junho de 22 e agosto de 23. Cada estação transforma a paisagem completamente: do branco da neve no inverno às cores vibrantes do outono. Desta vez, viemos curtir os dias longos e as temperaturas mais amenas do verão.

Dia 1: Como chegar e o início da aventura

Saímos do aeroporto de Santiago e pegamos um voo direto até Balmaceda, que é a principal porta de entrada para quem quer explorar o setor central e sul da rodovia. No aeroporto, já encontramos o Pedro, da agência Free Adventure, nossa parceira na região.

Nossa primeira parada foi no Parque Nacional Cerro Castillo. Começamos o dia com um café da manhã bem caseiro, preparado com aquele carinho que a gente só sente no interior: ovos mexidos, pão quentinho, geleia e queijos. Tudo delicioso para aguentar os 8 graus que fazia, mesmo sendo verão.

Fizemos uma caminhada leve pelo parque para conhecer a área de acampamento e a Laguna Chiguay. A paisagem é alucinante, cercada de verde e montanhas imponentes. De barriguinha cheia, seguimos viagem pela Carretera Austral até Puerto Río Tranquilo.

Nesse trecho, levamos cerca de 3 horas. É importante saber que grande parte desse percurso é em estrada de sem calçamento, o que exige mais cuidado. Aqui na região, o normal é medir as distâncias em horas gastas e não em quilômetros, pois o ritmo é outro.

Parque Nacional Cerro Castillo
Cafeteria no Parque Nacional Cerro Castilo

O gigante Lago General Carrera

Chegamos em Puerto Río Tranquilo, uma cidade estratégica na rota. É daqui que saem as navegações para as famosas Capelas de Mármore e para a Laguna San Rafael. Caminhamos pela orla para admirar o Lago General Carrera, o maior do Chile e o segundo maior da América do Sul.

Uma curiosidade sobre esse lugar incrível: o Lago General Carrera é imenso. São cerca de 1.850 km² no total, contando com a parte que fica na Argentina (onde ele muda de nome para Lago Buenos Aires). Só a parte chilena tem 978 km² e profundidades que chegam a 500 metros. A água tem um tom de azul que é difícil até de descrever, mas já avisamos: é gelada, com média de 8 graus.

Puerto rio Tranquilo

Onde se hospedar em Puerto Río Tranquilo

Nossa hospedagem foi nas Cabañas Paraíso, reservadas pelo Pedro. O lugar é simples, mas muito limpo e organizado, com uma vista privilegiada para o lago. Como estávamos cansados da viagem, decidimos descansar para fazer o passeio das capelas na volta. Veja a vista da hospedagem Cabañas Paraíso:

Carretera Austral32
A vista da nossa hospedagem em Puerto Río Tranquilo – Cabañas Paraíso

Uma outra boa opção que vimos nessa pequena cidade foi o Hotel Bacaris. Clica aqui para saber o valor da diária no Booking.

Dia 2: De Puerto Bertrand ao encontro dos rios

No segundo dia, seguimos ainda mais ao sul. Paramos em Puerto Bertrand, uma vila minúscula com uma vista para o lago Bertrand que é de tirar o fôlego. A cor da água é um azul vibrante, quase neon. A gente olha e custa a acreditar que é real. é uma parada obrigatória para fotos e contemplar o lugar.

Seguimos para a confluência dos rios Baker e Neff. É uma caminhada curta, de uns 20 minutos, para chegar no mirante onde os dois se encontram. É curioso ver o contraste: o Baker é azul celeste, enquanto o Neff tem uma cor mais leitosa ou acinzentada, já que vem diretamente do degelo dos glaciares trazendo sedimentos.

Nosso hotel em Puerto Guadal

Nossa ideia era visitar o Parque Nacional Patagonia, mas a estrada estava fechada para manutenção e só abriria no final da tarde. Decidimos, então, seguir para nossa próxima parada: o hotel Terra Luna, em Puerto Guadal. Ficamos em uma “casa na árvore” com vista para o Lago General Carrera. Como o sol no verão só se põe perto das 22h, aproveitamos um “almojanta” com toda a calma do mundo, curtindo a paz desse lugar.

Puerto Bertrand
Puerto Bertrand

Dia 3: A capela, a catedral e as cavernas de mármore

Voltamos para Puerto Río Tranquilo para viver um dos momentos mais esperados da viagem: conhecer o Santuário da Natureza Capelas de Mármore. Muita gente chama tudo de “Capelas”, mas na verdade o monumento é dividido em quatro formações principais: a Catedral de Mármore (que é a maior), a Capela de Mármore, as Cavernas de Mármore e o Túnel de Mármore.

Leia aqui: Um post completinho da Capela de Mármore de Caiaque

Todas elas são formações de carbonato de cálcio desenhadas pacientemente pela natureza. A erosão causada pelo vento e pela água do lago ao longo de milhares de anos criou essas esculturas surreais.

Dessa vez, fizemos o passeio de barco, exclusivo para o nosso grupo. É uma experiência deliciosa e tranquila. De barco, nós conseguimos entrar e navegar por dentro das Cavernas de Mármore, admirando as texturas e as cores das paredes bem de pertinho. É impressionante ver como a luz do sol reflete na água azul-turquesa e ilumina o interior das grutas. Porém, vale avisar: a gente não entra dentro da Catedral e da Capela, apenas as contorna, entramos apenas nas cavernas.

Dica da Rosi: Se você busca uma experiência mais imersiva e aventureira, eu recomendo muito fazer o passeio de caiaque. Nós fizemos na nossa viagem anterior e foi emocionante (eu até chorei!).

Capelas de marmore

Se quiser saber como foi essa outra experiência, tem um post completo aqui no blog contando todos os detalhes do passeio de caiaque.

Nosso hotel em Coyhaique

Depois desse banho de beleza natural, pegamos a estrada rumo a Coyhaique, o “coração da Patagônia”. Ficamos no Hotel El Reloj, super aconchegante e perto da Plaza de Armas. A cidade é segura, funcional e o Uber funciona muito bem por lá.

Dia 4: Parque Nacional Queulat e o Glaciar Vestisquero suspenso

Neste dia, o despertador tocou cedo. Saímos de Coyhaique por volta das 6h da manhã, ainda no escuro, para aproveitar ao máximo. A temperatura marcava 8 graus (sim, no verão), o que já nos preparou para o clima de montanha que viria pela frente.

Depois de cerca de uma hora de estrada pela Carretera Austral, fizemos uma parada estratégica em um posto Copec para o café da manhã. Nada como um café quentinho para despertar. De lá, seguimos viagem e logo fizemos uma parada rápida para admirar uma cachoeira linda na beira da estrada, um “aperitivo” do que estava por vir.

Carretera Austral9

O Parque Nacional Queulat é conhecido como o refúgio do “bosque sempre-verde” e é onde a floresta encontra o mar no impressionante Fiorde Queulat. Como é uma região onde chove muito, a vegetação é exuberante, marcada por muitas samambaias e pelas nalcas, plantas com folhas gigantescas que parecem até guarda-chuvas naturais.

Ainda de dentro da van, a paisagem já começa a mudar. Passamos por lagoas de águas azuis e, de repente, avistamos o imponente Glaciar Ventisquero Colgante lá do alto da estrada. A ansiedade só aumentava!

Chegando na base, fizemos uma pequena caminhada até atravessar a famosa Ponte Colgante (ou Pasarela), que cruza o Rio Ventisquero. O visual dali já é de tirar o fôlego, com o rio correndo com força lá embaixo.

Seguimos a trilha até o ponto de embarque na Laguna Témpanos. A água da lagoa tem uma cor esverdeada e turva, um tom “leitoso” bem característico, resultado dos sedimentos que descem com o degelo do glaciar.

Entramos no bote para navegar pela lagoa e essa é, sem dúvida, a cereja do bolo! O passeio de barco é imperdível porque te leva muito mais perto da queda d’água do glaciar do que a trilha convencional. Sentir a grandiosidade do gelo suspenso e ouvir o som da natureza ali de pertinho é uma experiência que arrepia.

Na volta, caminhamos novamente pela trilha e cruzamos a ponte para almoçar no restaurante que fica dentro do parque. Comida gostosa e ambiente acolhedor para repor as energias antes de pegar a estrada de volta para Coyhaique.

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Dia 5: A cidade de Coyhaique

Fechamos nossa viagem conhecendo o lado cultural de Coyhaique. Pela manhã, fomos ao Museu Regional de Aysén. O museu tem entrada gratuita e nos surpreendeu muito pela qualidade. As exposições contam desde a história geológica até a vida dos colonos que desbravaram a região. Vale muito a pena!

Para o almoço, escolhemos a Taberna Dolbek, uma cervejaria artesanal clássica da região que abriu restaurante recentemente. O ambiente é ótimo e os pratos são muito bem servidos. Eles também oferecem um tour pela produção da cerveja com degustação (custa cerca de 15.000 pesos e precisa reservar com antecedência).

Terminamos o dia caminhando pela Costanera Rio Simpson. Pegamos um dia de calor atípico de 25 graus. Os moradores locais estavam todos na rua aproveitando o sol, algo raro por lá.

Carretera Austral1

O que levar na mala para a Carretera Austral: itens essenciais

Arrumar a mala para a Patagônia exige estratégia. A regra de ouro aqui é se vestir em camadas, o famoso “efeito cebola”. Você vai tirando e colocando roupa o dia inteiro. Nós passamos por frio de 8 graus e calor de 25 graus na mesma viagem!

Aqui está o checklist do que não pode faltar:

  • Segunda pele: Calça e blusa térmica são indispensáveis, mesmo no verão.
  • Fleece: Aquela blusa quentinha para usar por cima da segunda pele.
  • Casaco corta-vento e impermeável: Essencial. O vento na Carretera é constante e a chuva pode aparecer a qualquer hora.
  • Bota de trekking ou tênis confortável: De preferência impermeável e já amaciado.
  • Protetor solar e óculos escuros: O sol na Patagônia é muito forte.
  • Protetor labial e hidratante: O clima seco e o vento ressecam muito a pele.
  • Mochila pequena: Para os passeios do dia a dia.
  • Bateria externa (Power Bank): Para não ficar sem bateria nas fotos.
  • Dinheiro em espécie (Pesos): O sinal de internet para passar cartão pode falhar em vilarejos menores.
  • Água: importante andar com uma garrafa de água o tempo todo.
Roupa para usar na  Carretera Austral

Dica final: Como organizar sua viagem

Estar na Carretera Austral é estar em contato constante com a natureza. Para que tudo corra bem, a logística é fundamental. O Pedro, da Free Adventure, organizou toda a nossa viagem e nos guiou nestes cinco dias. Ele monta o roteiro personalizado de acordo com o perfil de cada viajante. A van é 4×4, super confortável e foi tudo perfeito. Ter um guia experiente e que mora na região faz toda a diferença para aproveitar as paisagens sem se preocupar com a estrada.

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Rosi Guimarães

Relações Públicas e criadora do Nós no Chile, projeto que nasceu em 2014 quando deixamos Belo Horizonte para viver em Santiago. Desde então, transformei minha paixão por viagens e vinhos em uma marca que inspira milhares de brasileiros a conhecer o Chile. Já visitei quase 100 vinícolas e compartilho dicas práticas e atualizadas sobre hospedagem, gastronomia, vinhos, neve e roteiros pelo país, sempre com a experiência de quem vive aqui há mais de uma década.

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